terça-feira, 9 de novembro de 2010

DIÁRIO DO NORDESTE Verdade e "verdades" sobre uma demissão

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=614IMQ003

DIÁRIO DO NORDESTE
Verdade e "verdades" sobre uma demissão
Por Ronaldo Salgado em 2/11/2010


A demissão do jornalista Dalwton de Moura Borges do cargo de editor de "Variedades" do jornal Diário do Nordeste, no estado do Ceará – de acordo com o Instituto Verificador de Circulação (IVC), com tiragem média diária em torno de 45 mil exemplares –, inaugura mais um triste e sombrio capítulo na história do jornal, que em dezembro próximo completa 29 anos. O jornalista foi demitido não porque escreveu um texto de opinião contrário aos interesses ou à linha editorial da empresa – o que, por si só, não seria motivo para isso, já que o jornal se resguarda em seu expediente com a ressalva de que "as opiniões assinadas não refletem obrigatoriamente o pensamento do jornal", como estampado página 2 do Diário do Nordeste.


O motivo da demissão foi a edição de um caderno inteiro, de seis páginas, com o título principal "Revoluções ontem e hoje", encartado na edição de domingo, 17 de outubro de 2010, tendo como "gancho" o lançamento do livro Revoluções (Editora Boitempo, 2009, 552 páginas, preço médio R$ 68,00), organizado pelo professor brasileiro radicado na França Michael Löwy, que esteve em Fortaleza. O livro reproduz imagens fotográficas "de movimentos contestatórios decisivos para escrever a história dos séculos 19 e 20", como a Comuna de Paris e a Revolução Russa de 1917, para ficarmos em apenas dois exemplos.


O caderno, com reportagem e entrevistas com Löwy, foi pautado, segundo informações do jornalista demitido, pela direção editorial do Diário do Nordeste, que tem à frente o jornalista Ildefonso Rodrigues. Os textos da reportagem e a entrevista com Löwy são assinados por Dalwton Moura (editor) e Síria Mapurunga (repórter). Há, também, dois artigos assinados: um da professora doutora do Curso de História da Universidade Federal do Ceará (UFC) Adelaide Gonçalves ("Homem de muitos mundos"), e outro do jornalista e escritor José Arbex Jr. ("Iconografia revolucionária"). O caderno traz finalmente depoimentos de outras fontes além do sociólogo franco-brasileiro, a exemplo dos professores cearenses Frederico de Castro Neves, Josênio Parente e Emiliano Aquino e do crítico literário Roberto Schwarz.


Grupo diversificado


A direção da empresa teria classificado o caderno como "panfletário" e "subversivo", além de "inoportuno ao momento atual". Os dois adjetivos dispensam explicações aos leitores. A expressão "inoportuno ao momento atual", ao contrário, pede esclarecimento: trata-se da circunstância eleitoral então polarizada entre os candidatos à Presidência da República Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), no segundo turno. Dilma, uma candidata mais à esquerda no espectro ideológico; Serra, mais à direita. Este, o candidato queridinho dos meios de comunicação; aquela, odiada por quase todos os grandes jornais brasileiros.


A demissão de Dalwton Moura impõe, no mínimo, uma reflexão a todos os que se preocupam com a vida democrática, a qualidade dos meios de comunicação e o papel que esses meios cumprem no quotidiano das pessoas em geral. Pode um jornal demitir um jornalista pela edição de uma matéria que não atenda às expectativas da empresa, mesmo quando a pauta é encomendada pela direção editorial do veículo? Qual a responsabilidade da direção editorial em casos como esse? O que esse fato pode suscitar em relação às discussões sobre liberdade de imprensa, principalmente no Brasil? O que isso tem a ver com a discussão mais do que urgente sobre controle social dos meios de comunicação, que os jornais e as emissoras de rádio e televisão brasileiros tanto repudiam? Como fica a reputação do Diário do Nordeste ante os assinantes, os leitores que compram o jornal em bancas e a sociedade cearense?


O Diário do Nordeste faz parte do grupo Edson Queiroz, conglomerado empresarial que atua em vários campos da economia brasileira, incluindo produção de bens duráveis (fogão, geladeira, freezer etc.), agropecuária e agroindústria, exploração e distribuição de água mineral e gás butano, exploração de petróleo, educação superior privada (Universidade de Fortaleza – Unifor) e na área da comunicação.


Subjetividade empresarial


Além do Diário do Nordeste, o grupo Edson Queiroz controla três emissoras de TV (em Fortaleza, a TV Verdes Mares, canal 10, afiliada da Rede Globo; TV Verdes Mares Cariri, em Juazeiro do Norte; e TV Diário, de âmbito regional, também com sede na capital cearense) e emissoras de rádio AM e FM – duas em Fortaleza, uma em Recife e outra no Rio de Janeiro. O jornal foi fundado a 19 de dezembro de 1981. Seis meses depois da fundação, o empresário Edson Queiroz faleceu num acidente de avião da antiga Vasp, nas proximidades de Fortaleza.
Em seu primeiro editorial, intitulado "Compromisso de luta", o jornal expressava:

"Compusemos um corpo de repórteres bem qualificados para veicular os acontecimentos com agilidade e precisão, a fim de que as informações cheguem ao público sem tardança e com a preocupação exclusiva de transmitir a verdade."
O repórter Dalwton Moura, há pouco mais de três meses guindado ao posto de editor pela competência e a qualificação profissional que demonstrara em mais de cinco anos atuando no jornal, é demitido, e a qualidade dele, assim como a verdade apregoada pelo matutino no primeiro editorial, é jogada ao rés-do-chão.


Não se aponta um único erro jornalístico no caderno, mas, de maneira sub-reptícia e aética, estabelece-se a razão da demissão: o suposto conteúdo panfletário e subversivo dos textos, contrariando a lógica do jornalismo informativo praticado pelo periódico. É subjetividade empresarial, sem sustentação em fatos da realidade contemporânea, quando não mais se faz jornalismo com panfletos nem há situações ou regimes discricionários a subverter, porquanto desfrutamos o Estado democrático do direito.


Credibilidade empobrecida


Foi irresponsável o jornalista Dalwton Moura ao cumprir a pauta encomendada pelo seu superior hierárquico? Não; afinal, antes da edição do conteúdo jornalístico, ainda segundo Dalwton Moura, houve várias reuniões de pauta com a presença do diretor do jornal. Parte-se, então, para um campo de reflexão no qual o conceito de corresponsabilidade deve, necessariamente, vir à tona: uma pauta encomendada pela direção editorial do jornal é de responsabilidade tanto da editoria específica, no caso a de Variedades, quanto da própria direção do veículo. É um regime consorciado de responsabilidades. Aceitando-se as razões da demissão imposta pelos proprietários do jornal – o que, também por si só, não se pode aceitar –, por que só o editor do caderno foi demitido?


Ao atingir o jornalista Dalwton Moura em plena ascensão profissional, o Diário do Nordeste expõe a contradição que a grande imprensa carrega no seu âmago: defende a liberdade de imprensa como um valor absoluto e inalienável, mas a aliena aos seus próprios interesses. Ou seja, tem na liberdade de imprensa não um legado político, ideológico, filosófico e cultural que nos foi deixado pelos rastros da Independência Americana (1776) e da Revolução Francesa (1789), mas a tem como um slogan de propaganda de atuação em defesa da sociedade. Ora, ora!


É nesse ponto que entra a discussão urgente e inadiável sobre a necessidade de se instituir no Brasil um controle social dos meios de comunicação. Da mesma maneira como reagiram à proposta de institucionalização do Conselho Federal de Jornalismo, há pouco mais de dois anos, as empresas jornalísticas reagiram, mais recentemente, contra o projeto de indicação do Conselho de Comunicação Social do Estado do Ceará, propostas que vão ao encontro dos interesses de toda a sociedade, se analisadas sem manipulação, distorção e maniqueísmo, como o fazem essas empresas de Norte a Sul do país.


Qual o argumento mais utilizado por elas? É que tais propostas querem restringir a liberdade de imprensa e instituir a censura nos meios de comunicação. Qual nada! Está por trás desse argumento pomposo, isso sim, o fato de que querem agir livremente e em favor apenas dos próprios interesses – políticos, ideológicos, econômicos, culturais. No caso da demissão do jornalista Dalwton Moura, onde fica a liberdade de imprensa? Debaixo do tapete das sofisticadas e bem decoradas salas das diretorias dessas empresas. E a censura? Não aparece para a sociedade, que mal toma conhecimento de fatos como a demissão de Dalwton Moura. Entanto, fica registrada com outra nomenclatura na carteira de trabalho do jornalista: demissão sem justa causa.


O jornal Diário do Nordeste sai com reputação e credibilidade atingidas e empobrecidas. Porque fere a democracia, agride a consciência cidadã de profissionais íntegros, honestos e qualificados e, finalmente, ludibria a sociedade quanto ao fazer jornalístico que propaga praticar.

Mais despejo em SP em benecífio de especuladores.

Aparato do estado e da prefeitura se prepara para despejar Vila Taboinhas (Vargem Grande), mas moradores montam barricadas e prometem resistir

A comunidade Vila Taboinhas, que fica em Vargem Grande (acesso pela Estrada dos Bandeirantes, próximo à subida para a Estrada da Grota Funda) tem o despejo de suas 400 famílias marcada para hoje (09/11).

O suposto proprietário da área que foi ocupada pelas famílias entrou com ação de reintegração em 2007, e logo conseguiu decisão judicial favorável, de juíza do Fórum da Barra. Entretanto, a ordem de despejo não foi imediatamente cumprida porque o proprietário não soube dizer quais eram os limites de sua "propriedade" e foi necessária perícia técnica!

Os moradores só foram notificados da decisão esse ano (2010). A juíza (chamada Érika) esteve pessoalmente na comunidade com cerca de 30 oficiais de justiça para notificar as famílias.

O Núcleo de Terras e Habitação (NUTH) da Defensoria Pública, procurado pela Associação de Moradores e pelas famílias, entrou com agravo contra a decisão, que foi inicialmente aceito pela desembargadora, que logo após entretanto voltou atrás alegando falta de documentos.

A decisão da juíza Érika do Fórum da Barra é pelo despejo puro e simples, sem determinar nenhuma alternativa de moradia para as famílias, o que contraria diversas legislações.

Deve-se observar que a área onde se encontra a comunidade faz parte da região que será atingida pela implantação da Transoeste e Túnel da Grota Funda, sendo portanto local de valorização imobiliária, o que deve ter despertado a cobiça do suposto proprietário que a tinha abandonado há anos.

Já começaram a chegar agora pela manhã caminhões da prefeitura, Light e Cedae, mas não há ainda presença da Guarda Municipal e força policial.

Os moradores prometem resistir, porque não têm para onde ir, e estão montando barricadas nas entradas da comunidade. O Conselho Popular e o Movimento de União Popular (MUP) estão presente em apoio e solidariedade, e defensores públicos estão se dirigindo ao local.

Pede-se a presença da imprensa e de todas e todos que possam apoiar a resistência das famílias em sua luta pelo direito de moradia.

Para chegar: ônibus 268 e 382 (descer no Trinta), ou 387 (descer na Amoedo do Recreio).

Mais informações com Alexandra (da associação, tel. 7863-6495), Jorge (do MUP, 9725-7702) ou Alexandre (Rede contra a Violência, 9284-8702), que estão no local.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

despejo de uma das últimas família de pescadoras tradicionais das Ilhas de Sirinhaém - PE

Comissão Pastoral da Terra - Regional Nordeste II
Setor de comunicação e documentação


08/10/2010

Iminência de despejo de uma das últimas família de pescadoras tradicionais das Ilhas de Sirinhaém

Uma semana após o Brasil eleger uma mulher à presidência da república, o Estado e a Justiça de Pernambuco, aliados ao agronegócio, tiram de uma outra mulher o direito de viver com dignidade. Maria de Nazareth, pescadora tradicional e mãe de dois filhos, vive nas Ilhas de Sirinhaém, litoral sul de Pernambuco, desde que nasceu. Mas a sua família, uma das últimas que vive nas Ilhas, pode ser despejada a qualquer momento pela Justiça, a pedido da Usina Trapiche. O juiz da Vara única de Sirinhaém, Luíz Mario de Miranda, já anunciou o despejo da trabalhadora, que tem até hoje pela manhã, dia 08/11, para aceitar uma das propostas impostas pela Trapiche, ser despejada das Ilhas e ir para a periferia do município. A outra família que vive nas Ilhas é a de sua irmã, Maria das Dores. O processo judicial atual anuncia o despejo da pescadora Maria de Nazareth, entretanto, através de uma manobra judicial, a Usina pretende também despejar a pescadora Maria das Dores, sob a qual não recai nenhuma ordem de despejo. As Colônias de pescadores da região, religiosos e entidades que acompanham o caso, como a Comissão Pastoral da Terra, a Comissão Pastoral dos Pescadores e a Terra de Direitos estão em alerta e mobilizados no local.

Não se trata de uma questão pontual. A família de Maria Nazareth e Maria das Dores são vítimas de um conflito que dura mais de 25 anos e que envolve também outras 51 famílias de pescadores, que viviam nas Ilhas de Sirinhaém e que foram sendo expulsas, uma a uma, pelas ações criminosas da Usina Trapiche, com sucessivas ameaças, queima das casas e perseguições. Atualmente só as famílias das duas irmãs permanecem na área. Essas mulheres tornaram-se símbolo de luta e resistência contra os crimes cometidos pela Trapiche e pelo monocultivo de cana-de-açúcar na região.

Governo do Estado conivente com o conflito - A justiça e a Usina Trapiche caminham para por um fim na história de mais uma comunidade tradicional. E o Governo do Estado de Pernambuco se posiciona de forma conivente diante do conflito. Desde 2006, como forma de solucionar o conflito, as famílias, com o apoio da população local, da Colônia e da Associação de pescadores e por diversas organizações ambientalistas e de direitos humanos, solicitaram ao ICMBio e ao Ibama o pedido de criação de uma Reserva Extrativista (Resex) na área. Com a criação da Resex a proteção ambiental na área e a permanência das famílias em seu local de origem fica garantida. O processo administrativo para a criação da Reserva já foi concluído, dependendo apenas de uma posição favorável do Governador do Estado de Pernambuco, Eduardo Campos, para que seja criada. Entretanto, mesmo com a iminência do despejo das últimas famílias que resistem nas Ilhas, o Governo do Estado se posiciona de forma conivente com a violência promovida pela Trapiche.

Outras informações:

Comissão Pastoral da Terra

Renata Albuquerque

Fone: (81) 9663. 2716

Plácido Júnior

Fone: (81) 9774.5520j

______________________________
Comissão Pastoral da Terra - NE II
Setor de Comunicação e documentação
Contatos: (81) 9663.2716/ (81) 3231.4445
comunicacaocptpe@yahoo.com.br
www.cptpe.org.br

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O POVO Online - Política - Campanha de Cid é a mais cara do CE

O POVO Online - Política - Campanha de Cid é a mais cara do CE

Empresas financiaram as campanhas para o governo do Ceará de Cid (PSB), Marcos Cals (PSDB) e de Lúcio (PR). Ora, o objetivo de toda empresa é o lucro. Portanto, em campanhas eleitorais as empresas fazem investimentos visando retornos lucrativos.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O POVO Online - Política - Abstenções ficam acima da média nacional

O POVO Online - Política - Abstenções ficam acima da média nacional

NOTA DO MCP EM REPÚDIO À DEMISSÃO POR MOTIVOS POLÍTICOS DE JORNALISTA DO DN.

Democracia significa, essencialmente, o exercício do poder pelo povo. Hoje, é uma palavra de ordem para legitimar o atual sistema político. O poder é exercido por poucos. Os campos do conhecimento e da informação são tratados como verdadeiras trincheiras pelas elites dominantes para impedir que as massas cidadãs exerçam poder de fato.

A recente demissão do jornalista Dawton Moura pelo jornal Diário do Nordeste mostra como os chefes da mídia empresarial exercem seu poder de controle sobre os meios de comunicação com mão de ferro para negar ao povo fatos e idéias consideradas perigosas para os seus interesses de classe. O crime do jornalista: conceder ao público, subsidiado por professores do Departamento de História da UFC, a visão de fatos históricos que, ao longo de dois séculos, influenciaram o desenvolvimento político da humanidade. A matéria foi baseada principalmente nas reflexões que o sociólogo brasileiro radicado na França Michael Löwy apresentou recentemente em Fortaleza. Apesar de ser um pensador prestigiado no mundo inteiro com dezenas de livros publicados em vários países, a empresa o definiu “democraticamente” como proscrito.

Recentemente, o mesmo jornal, propriedade do Grupo Edson Queiroz, ao fazer uma matéria sobre ocupações urbanas, forma fundamental de aquisição de moradia pelo povo pobre na história de Fortaleza (história esta que o jornal esconde), a fala de um militante do MCP foi alterada e manipulada para atender o objetivo da matéria em estigmatizar as ocupações e, assim, defender os interesses da especulação imobiliária – cujo grupo proprietário é um dos seus maiores e mais violentos representantes no Ceará.

Esse tipo de prática deve ser denunciada, bem como os paladinos da falsa democracia, que lutam contra um conselho social de comunicação (como se esta não fosse uma questão pública, mas meramente privada), contra a democratização das concessões (o que na sua lógica invertida seria um atentado à “liberdade de expressão”) e a democratização das verbas publicitárias públicas (que eles consideram propriedade de suas empresas).

Registramos assim nosso repúdio aos que desejam manter o monopólio da comunicação para melhor manipular a opinião pública. E nos solidarizamos ao jornalista Dawton Moura, punido por seu compromisso profissional e ético com o público, ao Sindicato dos Jornalistas que enfrenta com coragem o despotismo arbitrário de uma classe empresarial sem ética, e ao Departamento de História da UFC por seu inabalável compromisso na luta pelo direito da sociedade conhecer sua história local e universal e refletir sobre o futuro a seguir.

MOVIMENTO DOS CONSELHOS POPULARES - MCP